A história de uma amizade, a memória de Padre Gigio e muitos encontros marcaram a visita de Max e Flaminia, da Associazione Condividere OdV, às Obras Educativas Padre Giussani. Nove anos depois da última visita a Belo Horizonte, eles voltaram para reencontrar pessoas, conhecer de perto o trabalho realizado e renovar uma companhia que atravessa o tempo e os quase 9 mil quilômetros entre o Brasil e a Itália.
Max esteve pela primeira vez nas Obras em 1996, acompanhado de Padre Luigi Valentini, o querido Padre Gigio. Os dois se conheceram quando Max tinha apenas 15 anos e, desde então, Gigio acompanhou sua história. Em 2019, Max tornou-se presidente da Associazione Condividere OdV, fundada por Gigio, que faleceu no início de 2020.
Para Max e Flaminia, visitar as creches de Rosetta é uma maneira de "tocar" o trabalho para o qual a associação contribui. Durante o giro pelas unidades, reconheceram também a presença de Gigio, cuja amizade e dedicação permanecem vivas nas relações construídas ao longo dos anos.
Desde a última visita a Belo Horizonte, em 2017, Max e Flaminia mantiveram o costume de reservar dez dias para visitar as Obras que Padre Gigio ajudava e que a Condividere continua apoiando. Nos anos seguintes, seguiram conhecendo diferentes realidades pelo país, em cidades como Salvador, Brasília e São Paulo, interrompendo as viagens apenas durante a pandemia de COVID-19.
Mesmo quando não puderam vir a Belo Horizonte, a companhia da associação continuou presente nas Obras Educativas por meio de outros amigos. Foi assim com Luca, que nos visitou em 2023, 2024 e 2025, mantendo vivos os laços construídos ao longo dos anos.
Ao percorrer as unidades, Max e Flaminia recordavam como eram os lugares nas visitas anteriores e observavam o que havia mudado. Reconheciam espaços, pessoas e histórias, percebendo como, pouco a pouco, as Obras cresceram e melhoraram. Rever esses lugares era também acompanhar o caminho percorrido e reconhecer os frutos de um trabalho construído com a contribuição de tantas pessoas.
Uma casa feita de pessoas
Vindos de São Paulo, Max e Flaminia seguiram diretamente do aeroporto para a Casa Novella. Lá, brincaram com as crianças e encontraram a equipe. Logo na sala, um quadro chamou a atenção de Flaminia: um presente da Casa Novella de Castel Bolognese, na Itália, com a frase “Un luogo non è dato innanzitutto dalle mura ma dalla compagnia che lo rende vivo” — um lugar não é definido, antes de tudo, pelas paredes, mas pela companhia que lhe dá vida.
Flaminia conheceu Novella pessoalmente e ouviu ela contar sua história em um evento dias antes de seu falecimento. Ao reconhecer o quadro, contou que gosta muito da frase e que bordou as mesmas palavras, colocando o trabalho na entrada de sua própria casa. Para ela, a mensagem expressa algo fundamental: uma casa é feita pelas pessoas e pelas relações que a tornam viva.
Depois de conhecer as crianças, os quartos e as cuidadoras, o grupo tomou café com a equipe técnica da Casa Novella: Elma, coordenadora; Priscila, assistente social; Rodrigo, psicólogo; e Vivi e Stefany, agentes visitadoras.
A conversa passou pelo trabalho com as famílias e pelo acompanhamento realizado pelos agentes visitadores. A equipe compartilhou como constrói, no cotidiano, uma relação com os familiares das crianças acolhidas, buscando alcançar o coração de cada pessoa.
No almoço, o encontro continuou com Rosa Brambilla, Luisa Cogo e Fernanda Campolina. Entre lembranças da construção das creches, histórias vividas juntos, amigos em comum e momentos compartilhados com Gigio, a conversa renovou os laços de uma amizade que permanece presente.


Um encontro que se torna companhia
Naquela tarde, o grupo seguiu para uma cidade próxima a Belo Horizonte, onde visitou uma menina de três anos que havia vivido na Casa Novella e foi acolhida pela irmã mais velha, então com 20 anos. A história da família é marcada por muitas dificuldades: os irmãos passaram pelo acolhimento e, posteriormente, foram recebidos por familiares, como tios e irmãos mais velhos.
Chegar à casa já foi uma aventura. A estrada de terra, bastante esburacada, dificultou o percurso até mesmo de carro. Mas, assim que os visitantes chegaram, a menina correu para abraçá-los.
A irmã, que agora também é sua mãe, contou que estavam ansiosas pela visita. Estava especialmente feliz por receber, pela primeira vez, cinco pessoas em sua própria casa. Havia preparado um bolo de fubá e passado café para os convidados. O marido também queria participar, mas não pôde faltar ao trabalho.
Na ocasião, entregamos um caderno com fotos e lembranças do período em que a menina esteve acolhida na Casa Novella. A cada página, ela reconhecia pessoas com quem havia convivido e recordava momentos daquela etapa da vida. Os sorrisos que surgiam durante a leitura tornaram o reencontro ainda mais especial.
A mãe contou sobre o caminho até conseguir acolher definitivamente a filha. A conquista trouxe também outras mudanças: naquele período, conseguiu alugar uma casa para a família e passou a ter mais tempo para estar com a menina e com o marido.
Compartilhou ainda seu desejo de educar a filha de maneira diferente daquela que conheceu na infância, marcada pela violência. Quer oferecer à menina uma experiência de amor, permitindo que brinque o máximo possível e cresça longe das telas. Mesmo quando ouve de outras pessoas que deveria agir de outra forma, procura seguir aquilo em que acredita.
Flaminia destacou a riqueza dessa atitude: mesmo diante das dificuldades, aquela mãe consegue reconhecer e valorizar o bem que carrega dentro de si. Essa percepção também a fez recordar uma conversa no Jardim Felicidade, quando contou como se impressiona, a cada visita ao Brasil, com a facilidade com que as crianças encontram motivos para brincar e se divertir, mesmo com tão pouco.
Entre o café, o bolo de fubá e as fotografias, foi possível reconhecer a beleza de uma família que busca construir um caminho novo. Um encontro simples, que mostrou como a presença e a amizade podem acompanhar a vida concreta das pessoas.
Uma história que continua viva
Na manhã seguinte, Max e Flaminia visitaram a Creche Etelvina Caetano de Jesus e a creche Gilmara Íris. Na Etelvina, próxima à casa onde Rosetta viveu, encontraram as crianças em clima de festa. Durante a Semana da Criança, fantasias, brincadeiras e danças deram o tom da visita.
Também houve espaço para recordar a história compartilhada com Gigio. Sueli, do Social, contou sobre sua experiência com ele e falou, emocionada, sobre sua trajetória e sobre como foi e continua sendo olhada e amada. Vieram à memória Gigio e tantos outros amigos, como Pigi, Virgilio e Rosa, cuja presença marcou e marca a vida de muitas pessoas.
Assim como aconteceu com Sueli, foram muitas as conversas em que surgiram histórias de vida, lembranças e gratidão por aqueles que se fizeram e fazem presentes ao longo do caminho. Em cada encontro, ficava evidente que amizade e companhia não são apenas palavras, mas sinais concretos de uma Presença que acompanha, sustenta e transforma a vida.
Max e Flaminia reconheceram nessa experiência algo que também faz parte de sua história: a riqueza de encontrar pessoas que acompanham a vida e permanecem presentes ao longo do tempo. Mesmo separados por milhares de quilômetros, compartilhamos a possibilidade de reconhecer Cristo diante de nós, nos encontros e na companhia que oferecemos uns aos outros.
Foram dias de reencontros e histórias que renovaram o desejo de continuar uma amizade construída ao longo de décadas. Uma companhia que mantém viva a memória de Gigio e nos recorda que a distância não impede que estejamos presentes na vida uns dos outros.
Agradecemos a Max e Flaminia pela visita, pela amizade e pela possibilidade de continuarmos essa história juntos.
Até breve!









