A oficina com Arianna, voluntária italiana, aconteceu durante três dias com as turmas do acompanhamento escolar da educadora Valéria.
No primeiro dia:
As crianças e adolescentes aprenderam como segurar o lápis corretamente, a forma adequada de posicionar o papel e o braço sobre a mesa para desenhar, sempre utilizando traços leves.
Depois de treinar os traços, aprenderam a desenhar a partir da observação de objetos. Arianna mostrou como usar o lápis como referência para que o desenho tenha proporções adequadas.
A turma praticou os traços leves e a técnica de proporção, observando e desenhando um vaso de flores. Finalizaram o primeiro dia aprendendo sobre luz e sombra, conhecendo e praticando duas técnicas possíveis para criar sombras no vaso e dar volume ao desenho.
No segundo dia:
O tema foi a teoria das cores! Aprenderam sobre as cores primárias, depois criaram as cores secundárias e descobriram que é possível fazer várias outras cores utilizando apenas azul, amarelo e vermelho. Ao desenharem com as cores primárias e secundárias, também identificaram as cores complementares.
Colocaram o aprendizado em prática observando e desenhando um cesto com frutas variadas, o que trouxe à tona um novo conceito: os pontos de vista.
As frutas estavam no centro da sala, e cada pessoa as via de forma diferente. Alguns viam o abacaxi, mas não enxergavam a goiaba; outros viam a banana, mas não viam a maçã, e assim por diante. Nesse momento, era necessário prestar atenção para desenhar o que se via, e não o que se imaginava.
Terceiro dia:
O objetivo foi desenhar a partir da observação ao ar livre, mas, antes disso, a turma relembrou os pontos de vista e as técnicas aprendidas nos dias anteriores.
Arianna mostrou um cone vermelho e pediu que os participantes desenhassem, com traços leves, o que estavam vendo do cone de frente, depois de cima e, por fim, por baixo.
Em seguida, todos foram até o gramado e fizeram desenhos livres, escolhendo o que desejavam representar a partir da observação do ambiente ao redor.
Veja o relato da Arianna:
“Essa foi uma grande oportunidade para mim, pois vê-los aprendendo me trouxe lembranças de quando eu era criança e estava aprendendo anos atrás.
Foi comovente ver o comprometimento e a concentração que eles colocaram para fazer a coisa certa e o melhor, eu realmente me senti muito bem, me senti amada.
As crianças e adolescentes confiaram em mim desde o primeiro momento, estavam prontos para aprender e serem corrigidos.
Um ambiente de afeto e aprendizado.
Dessa experiência, levo para casa muitos sorrisos, muitos olhares pedindo a minha ajuda, cheios de confiança e esperança.
Espero que eles nunca parem de desenhar, a arte é uma saída incrível, ajudando a mente e o corpo a se formarem e crescerem em harmonia com o mundo ao seu redor.
Aprender a observar no desenho ajuda a aprender a observar o presente, a ir além das aparências, a ver a versão mais complexa e perfeitamente bagunçada da nossa realidade. E eu digo perfeitamente porque dos cenários mais difíceis surgem as obras de arte mais preciosas.”
A educadora Valéria destaca a importância de parar e observar:
“Para mim e para muitos foi uma experiência incrível. Vivemos acelerados, cheios de tarefas a fazer, horários a cumprir, internet com respostas prontas e instantâneas e parar, observar, contemplar algo tão simples do cotidiano e reproduzi-lo em plena sexta-feira, foi um profundo aprendizado.
Assim, como na palestra da Fabrizia, precisamos parar para observar o que está ao nosso redor. Os pequenos detalhes, os traços leves, o simples, o cotidiano para que possamos transformar o que está ao nosso redor. Acredito que as crianças puderam sentir o mesmo. Houve um desconforto por parte de alguns e queriam acelerar o processo, acabar rápido. Mas, a maioria conseguiu subtrair muito aprendizado, assim como eu. Tenho certeza, elas levarão todos esses momentos para sempre em suas vidas.
Obrigada!”






