O Sol Está Aí!

set 18, 2026 | Noticias

Os encontros pedagógicos são momentos em que as equipes de cada unidade se reúnem para retomar o sentido da vida e do trabalho educativo, alinhar o percurso pedagógico, compartilhar experiências e preparar, juntos, materiais e atividades para as crianças. É também um tempo para que os educadores possam se ajudar e aprofundar temas relevantes para as pessoas e para o cotidiano.

Em setembro, a campanha Setembro Amarelo entrou na pauta desses encontros, trazendo para as equipes um espaço de conversa sobre saúde mental. Psicólogos e profissionais convidados conduziram diferentes bate-papos, a partir de perspectivas diversas, sempre com um convite a olhar com atenção para a realidade, para si mesmo e para quem está ao nosso lado.

No Jardim Felicidade (11 de setembro), Giselle dos Anjos, do Centro Esportivo Virgilio Resi, iniciou o encontro contando como surgiu a mobilização do Setembro Amarelo no mundo e falando sobre a importância de exercitar o corpo também como forma de cuidado com a saúde mental.

Em seguida, a educadora Isabela compartilhou seu testemunho de vida. Falou sobre situações difíceis que enfrentou ao longo dos anos e sobre a importância de conversar sobre aquilo que sentimos, de não carregar tudo sozinho e de procurar ajuda. Contou também como as amizades encontradas nas Obras foram importantes para que pudesse buscar ajuda e iniciar um caminho de cuidado diante da depressão.

A psicóloga Danielle Pequeno deu continuidade à conversa abordando a frustração e como lidar com aquilo que não acontece como esperamos. Entre os caminhos apresentados, destacou os “4 As”: aceitar, acolher, analisar e agir.

Danielle reforçou ainda que pedir ajuda faz parte desse processo. Diante das frustrações e dos desconfortos que surgem na vida, existem diferentes possibilidades e pessoas com quem podemos contar. Adaptar-se é uma habilidade.

Na Dora Ribeiro (11 de setembro) e na Etelvina Caetano de Jesus (18 de setembro) a psicóloga Cristiane Brandão partiu de uma pergunta: “O que podemos fazer para ser felizes?”. A conversa percorreu temas como o valor da própria vida, o sentido de ser útil e a maneira como cada pessoa se coloca diante da realidade.

Uma história apresentada por Cristiane trouxe diferentes formas de olhar para uma mesma situação. Enquanto um dos personagens pensava no que poderia ganhar em troca de sua ajuda, o outro se perguntava: “O que esta situação pede de mim?”. Os dois estavam atentos à realidade, mas a maneira de olhá-la fazia toda a diferença.

Cristiane falou também sobre como as fadigas do cotidiano podem nos colocar no “piloto automático”, fazendo com que deixemos passar os pequenos convites que a realidade nos apresenta para encontrar o outro.

“Fomos feitos para ir em direção a algo ou alguém. Quando fazemos isso, colhemos esta realização, esta felicidade. É nos pequenos convites do cotidiano que vamos nos realizando como pessoa. Engano pensar que a felicidade está em grandes feitos.”
— Cristiane Brandão

A conversa foi um convite a deixar de lado a pretensão de já ter todas as respostas e se colocar diante da vida como pergunta, com abertura para aquilo que a realidade pode oferecer. Ao retomar a pergunta que abriu o encontro, Cristiane propôs uma mudança de perspectiva: talvez não se trate de perguntar o que fazer para ser feliz, mas “a quem ou a que eu posso servir ou sentir hoje?”.

Na Gilmara Íris, o psicólogo Rodrigo, da Casa Novella, trouxe para a conversa como pequenos gestos podem ter grandes impactos. A partir daí, falou sobre a importância da empatia e de olhar para a pessoa para além de um diagnóstico.

Diante de alguém que está triste ou atravessa um momento difícil, podemos rapidamente interpretar ou até “diagnosticar” o que essa pessoa tem e pensar imediatamente em uma solução. Rodrigo chamou a atenção para a importância de não reduzir alguém ao que está vivendo naquele momento, mas sim de olhar para pessoa em sua totalidade. Uma escuta atenta, uma amizade e a companhia de alguém próximo também podem ser importantes para atravessar as dificuldades da vida.

Outro ponto abordado foi o cuidado com a pessoa como um todo: os ambientes em que vive, o corpo, a saúde e as relações que estabelece. Cuidar dessas diferentes dimensões também contribui para a saúde mental. Ao mesmo tempo, as condições externas não determinam sozinhas como cada pessoa viverá sua saúde mental: alguém pode estar em um ambiente difícil e ainda assim encontrar recursos para viver bem, assim como alguém em boas condições pode atravessar um sofrimento.

O encontro também contou com o relato da educadora Marlene, que compartilhou com a equipe sua experiência diante da dor de uma perda e de um período de tristeza. Ao falar sobre esse momento, ela pôde reconhecer que nunca esteve sozinha: contou com a companhia dos familiares, dos amigos e dos colegas das Obras para seguir vivendo e, pouco a pouco, voltar a encontrar coisas boas no cotidiano.

Um testemunho que emocionou a todos e que tornou concreta uma das ideias presentes ao longo dos encontros: a companhia pode fazer diferença quando atravessamos momentos difíceis.

O Sol Está Aí!

Ao final dos encontros, todos receberam um marcador de página com a imagem de um girassol e a frase:

“Mesmo em dias nublados, o sol está aí!
Há sempre uma companhia para caminhar com você.”

A mensagem reúne um pouco do que foi vivido nesses encontros: mesmo diante das dificuldades, podemos encontrar caminhos e, sobretudo, não precisamos enfrentar tudo sozinhos.

Os encontros pedagógicos são também uma oportunidade para que os responsáveis voltem seu olhar e cuidado para cada pessoa da equipe, oferecendo companhia, atenção, escuta e apoio. Em setembro, esse olhar encontrou o tema da saúde mental e abriu espaço para falar sobre aquilo que muitas vezes carregamos, sobre a importância de pedir ajuda, de olhar para a realidade com atenção e de reconhecer as possibilidades de encontro que ela oferece.

O sol está aí. Há sempre uma companhia para caminhar com você.

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