Experiência de Luan Yuri, abandonado pela mãe aos 3 anos, apadrinhado nas Obras Educativas e com 19 anos abriu o seu próprio negócio.
Yuri nasceu prematuro, cabia na palma da mão dos médicos. Tia Maria foi quem rezou, acolheu e cuidou, mesmo quando poucos acreditavam em sua vida. A mãe dele até tentou cuidar, mas era dependente química e andava pelas ruas da cidade tentando vender as filhas para poder comprar droga. Desde os 3 anos de idade não teve mais contato com a mãe e cresceu na casa da tia com as irmãs e relata que ficou mimado de tanto carinho e proteção...
“Eu fiquei mimado, ela me defendeu em várias situações do mundo e até por isso eu tinha medo do futuro, por não saber como seria. Minha tia fez o melhor e sempre nos disse para sermos alguém na vida.” - Yuri
Na adolescência, com 13 anos, enfrentou uma forte depressão, tentou suicídio e dizia não ter forças para fazer nada:
“Foram 4 anos de escuridão, de pura escuridão, no cantinho quieto. Eu ficava cerca de 3 a 4 dias sem tomar banho, sem comer e sem dormir.”
Ele relata que as coisas começaram a mudar quando Simone, que anteriormente era educadora de artes nas Obras e agora trabalha no setor social com as famílias, foi até sua casa para conversar. Apesar de suas tentativas de evitá-la, ela persistiu em encontrá-lo por um mês, até que finalmente conseguiram conversar e ele topou participar de um encontro.
“Não confiava em ninguém, eu não queria ter amigos e achava que seria assim para o resto da minha vida. (...) Me lembro do primeiro encontro que fui e parecia que todos me julgavam, eu me vestia com blusa de capuz e manga longa, algo que me escondesse. Tive uma crise de ansiedade e fui embora. Eu não gostava de ir aos encontros, mas Simone e Fernanda (responsável do setor SAD) sempre me buscavam em casa. E eu pensava porque me queriam tanto assim?”
Com o passar do tempo, sem perceber, Yuri passou a frequentar os encontros sozinho e se deu conta que havia feito amizades, pertencia a um grupo e gostava da companhia daquelas pessoas.
“Era gostoso estar ali junto. Cada encontro era uma novidade, era um momento de aprendizado. As propostas me aproximavam das pessoas e eu já não queria mais faltar. Esse relacionamento foi me dando força e eu voltei a estudar.”
Em 2022, com o falecimento da tia Maria, Yuri sentiu-se novamente perdido. No entanto, ao receber apoio e acolhimento, percebeu que, mesmo diante das inseguranças, não era mais o menino tão frágil de antes. Foi quando ele decidiu buscar algum curso e contou com o apoio da equipe das Obras. No entanto, apesar dos esforços, não encontrou algo que realmente lhe interessasse. Alguns dias depois, ele voltou à nossa unidade Dora Ribeiro para compartilhar a notícia de que começaria um curso de barbeiro. “Eu me inscrevi. Estava inseguro, mas, pela primeira vez, estava fazendo algo por mim mesmo, sozinho!”
Após concluir o curso, Yuri começou a cortar o cabelo dos amigos, e à medida que o número de clientes aumentava, ele decidiu abrir seu próprio negócio. Criou uma barbearia em um espaço dentro de sua própria casa. Atualmente com 19 anos, Yuri está cursando o ensino médio no período noturno. Ele conta com alegria a sua conquista:
“Abri um pequeno salão em casa e já tenho clientes. Eu me sinto bem, feliz, posso dizer que não quero mais ficar sozinho. Como é bom sorrir, viver e estar em companhia! Espero ser para outros jovens ainda perdidos o que vocês foram e são para mim! Obrigado. Mesmo com as mudanças da vida, sei que a amizade continuará para sempre!”





